Fim do dinheiro vivo nos ônibus do Rio vira alvo de ação no Ministério Público
A decisão da Prefeitura do Rio de acabar com o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais já virou alvo de reação na Câmara. A vereadora Alana Passos (PL) protocolou nesta quinta-feira (14) uma representação no Ministério Público pedindo o cancelamento da medida e, em paralelo, apresentou um requerimento de informações ao secretário de Transportes, Jorge Arraes, para cobrar explicações formais sobre a mudança.
A prefeitura anunciou nesta semana que, a partir de 30 de maio, os ônibus municipais deixarão de aceitar dinheiro em espécie. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, todo o pagamento passará a ser feito pelo sistema Jaé, enquanto usuários do Bilhete Único Intermunicipal seguirão podendo usar o Riocard. A gestão também informou que a recarga em dinheiro continuará disponível em máquinas de autoatendimento e bilheterias dos terminais do BRT.
A reação de Alana veio na linha de ataque ao que considera exclusão disfarçada de inovação. “O dinheiro do trabalhador continua valendo no comércio, no mercado e em qualquer lugar da cidade. Então por que ele não vai valer dentro do ônibus? O que a prefeitura está fazendo é empurrar a população para a dependência de um único sistema, sem garantir acesso real para idosos, informais, turistas e quem não vive de aplicativo. Modernizar não pode ser sinônimo de excluir”, afirmou a vereadora.
No requerimento de informações enviado ao secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, a parlamentar cobra a base legal da decisão, cópia de estudos técnicos e pareceres jurídicos, identificação dos órgãos e empresas envolvidos, além de dados sobre o impacto social da medida. A crítica central é que o passageiro ficará obrigado a passar por uma etapa extra de cadastro, cartão e recarga para continuar circulando pela cidade.
Ela também pede informações específicas sobre os efeitos da mudança para idosos, pessoas sem conta bancária, trabalhadores informais, turistas e população em situação de vulnerabilidade.
Em justificativa, a prefeitura afirma que a medida faz parte da “modernização” do sistema, com a promessa de ampliar o controle da arrecadação, reduzir o tempo de embarque, eliminar o manuseio de dinheiro pelos motoristas e aumentar a segurança dentro dos veículos. O município também informou que os créditos em espécie poderão ser carregados em cerca de 2 mil pontos de recarga espalhados pela cidade, além das bilheterias dos terminais do BRT.
Marco Stivanelli
Foto: Luciola Villela/CMRJ

