Destaque

Projeto de ciências de escola estadual da Maré vence etapa regional da Olimpíada da Fiocruz

Estudantes do Ciep 326 Professor César Pernetta, no Parque União, no Complexo da Maré, conquistaram o Destaque Regional na 13ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com um projeto que transforma óleo de cozinha usado em sabão artesanal e estimula a conscientização ambiental na comunidade. Intitulado ‘Do Descarte à Transformação: óleo residual, sabão artesanal e Educação Científica na Comunidade da Maré’, o trabalho foi selecionado na categoria Projeto de Ciências – Ensino Médio e avançou para a etapa nacional da competição, marcada para 30 de novembro.
Para a diretora da unidade escolar, Izabel Sabbatino, a premiação reconhece o trabalho de pesquisa e a dedicação dos estudantes e da professora Priscilla Pereira, criadora e coordenadora do projeto desde 2024.
– Foi maravilhoso quando recebemos a notícia. Diante das limitações e adversidades, por estarmos na Maré, a iniciativa foi muito além do que imaginávamos. Ficamos muito orgulhosos e satisfeitos com a premiação regional. Isso acendeu uma chama de confiança enorme na próxima fase da olimpíada – disse a gestora.
O projeto nasceu de uma questão presente no cotidiano da comunidade: o descarte inadequado do óleo de cozinha. A partir desse problema, os estudantes passaram a mobilizar familiares e moradores para a coleta do resíduo, transformando-o em oportunidade de aprendizagem, pesquisa e conscientização ambiental.
A iniciativa alia educação científica, sustentabilidade e participação comunitária. Depois de aprenderem sobre os impactos do descarte incorreto do óleo no meio ambiente e na rede de esgoto, os alunos coletam o resíduo em garrafas PET e levam o material para as atividades realizadas no laboratório da escola, onde produzem o sabão artesanal.
– Foi um desafio muito grande devido ao contexto da Maré, com problemas de saneamento básico. Mas, apesar das circunstâncias, houve uma aceitação muito grande – destacou a diretora, ressaltando o papel fundamental dos estudantes, que assumiram o protagonismo da iniciativa.
Nas oficinas práticas, os alunos aprendem conceitos de Química, entre eles a reação de saponificação, e acompanham o processo de transformação do óleo residual em sabão. A experiência aproxima o conteúdo trabalhado em sala de aula de uma situação concreta vivenciada pelos próprios estudantes e moradores da região.
O projeto também ultrapassa os muros da escola. Por meio de gincanas, oficinas e ações de sensibilização, os estudantes compartilham o conhecimento com responsáveis e moradores da comunidade, ampliando a mobilização em torno do descarte correto e do reaproveitamento de resíduos. O sabão produzido é destinado ao uso das famílias participantes e à limpeza da própria escola.
Para Izabel, a iniciativa demonstra como a educação científica pode partir de situações vivenciadas pelos próprios estudantes e contribuir para transformações na comunidade.
– O desafio agora é incentivar os novos alunos para dar continuidade ao projeto, que é realizado no contraturno. E trazê-los para este horário é difícil diante da nossa realidade, porque muitos ajudam na renda familiar – contou a diretora, que está à frente da unidade desde 2023.
O Ciep 326 funciona em três turnos e atende cerca de 1.100 estudantes. Parte do óleo coletado também é destinada a instituições. No fim de 2025, a professora Priscilla ajudou os alunos a criarem uma miniempresa para a produção e venda do sabão à comunidade. O valor arrecadado foi utilizado em uma festa de confraternização.
Ao longo de dois anos, os estudantes coletaram cerca de 100 litros de óleo de cozinha usado com famílias, comércios e espaços da comunidade. Depois de filtrado e tratado, aproximadamente 93 litros foram reaproveitados e deixaram de ir para o esgoto e para a Baía de Guanabara. Este óleo virou 500 barras de sabão de 180 g, somando cerca de 90 quilos. Além disso, foram produzidas 140 barras de sabonetes artesanais com cinco extratos e cinco essências desenvolvidos pelos próprios alunos.
Seleção de 42 trabalhos
Cerca de 1,5 mil projetos foram inscritos na 13ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma). Ao todo, participaram da iniciativa nove mil estudantes e três mil professores de escolas públicas e privadas de todo o país.
Nesta edição, 42 projetos foram selecionados como Destaques Regionais, nas categorias Produção Audiovisual, Produção de Texto e Projeto de Ciências, nas modalidades Ensino Fundamental e Ensino Médio. Os trabalhos seguem agora para a etapa final da competição.
Uma comissão de avaliadores escolherá os vencedores, que receberão o título de Destaque Nacional. A cerimônia de premiação será realizada em 30 de novembro, no Campus Manguinhos da Fiocruz, na Zona Norte do Rio.
FOTOS:  Divulgação/Seeduc
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