Histórias de superação marcam a formatura em escola de São Gonçalo
A formatura da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Estadual Amanda Velasco, de São Gonçalo, além de simbolizar a conclusão de uma etapa significativa da vida escolar dos estudantes, foi marcada por histórias de superação que representam, de forma concreta, o papel transformador da educação. Entre os destaques, estão as trajetórias de dois alunos da Educação Especial, David Loura Azevedo e Adriano Jorge dos Santos, que fizeram todo o ciclo na unidade.
— A escola é o portal da transformação. A troca de experiências é fundamental para estabelecermos um regime de colaboração, avaliação e, principalmente, interação. Essa é uma oportunidade para promover mudanças significativas e proporcionar uma aprendizagem mais consolidada para esses jovens — disse a secretária de Estado de Educação, Roberta Barreto.
Desde a chegada à unidade, os estudantes apresentaram significativos avanços no processo de escrita e na autonomia funcional. David, que possui Transtorno Global do Desenvolvimento – Autismo Infantil, não escrevia, sendo capaz apenas de assinar o primeiro nome. Já Adriano, com deficiência intelectual, também demonstrava dificuldades importantes de comunicação escrita, autorregulação emocional e organização da rotina.
Como prática institucional já consolidada, a escola realizou contato prévio com a rede municipal para compreender o histórico pedagógico, comportamental e as necessidades educacionais específicas dos alunos, de modo a planejar estratégias pedagógicas mais adequadas, atrativas e humanizadas.
— Na Educação, ninguém desiste perto da gente, porque estes alunos crescem, amadurecem e percebem que precisam criar suas próprias jornadas, seguindo em frente. Essa formatura tem uma simbologia muito marcante, de respeito às diferenças, percebendo que nenhum laudo limita ninguém — destacou a diretora da escola, Vanessa Guimarães Mesquita.
Adriano ingressou na escola com um histórico crítico de agressividade, o que gerava grande preocupação à família e à equipe escolar. Compreendendo a complexidade desta situação, a diretora da unidade realizou, logo em sua chegada, um trabalho simbólico e pedagógico cuidadosamente planejado. O estudante percorreu todos os espaços da escola, conheceu cada ambiente e foi conduzido à sala da direção, onde foi realizada uma cerimônia simbólica.
Naquele momento, Adriano recebeu a missão de ser o “guardião da escola”. Em um ritual pedagógico intencional, com uma espada na mão, Vanessa Guimarães colocou no aluno uma “capa invisível” e deu-lhe poderes especiais, que simbolizavam a responsabilidade de zelar por um ambiente harmonioso, respeitoso e sem conflitos.
Na escola, não houve registro de episódio de agressividade, contrariando todo o histórico escolar anterior do estudante. Adriano construiu uma relação de profundo respeito com a equipe escolar, passando a cumprimentar a direção diariamente, beijando a mão e pedindo a bênção, em gesto espontâneo de afeto e reconhecimento. Evoluiu também no processo de escrita, aprendendo a escrever o próprio nome e a identificar sinais, avançando de forma consistente em sua autonomia, especialmente no que se refere à organização da rotina, aspecto central para sua vida após o término da escolaridade básica.
No dia da formatura, esse percurso foi celebrado. Diante de toda a comunidade escolar, foi revelado que Adriano havia sido, durante todo o período, o “espião” e guardião da escola. Na cerimônia, realizou-se a troca simbólica da capa invisível pela beca, representando o encerramento de um ciclo e a transição para uma nova etapa de vida.
— A infância dele foi muito difícil, com várias situações de agressividade quando ele desregulava nas escolas que passou. O Adriano mudou o comportamento depois que chegou na escola. Aprendeu a escrever o nome, ficou mais calmo, mais focado, auxiliando na rotina de casa e o mais importante, mais feliz. A escola sempre deu toda a ajuda que nós precisávamos — contou Andreza Jorge Viana, mãe do estudante.
Em sua trajetória no Ensino Médio, David revelou forte habilidade de expressão artística, especialmente por meio da pintura. Após observar esse potencial, a escola investiu em materiais pedagógicos específicos, como quadros, telas e tintas plásticas, incorporando a arte como linguagem mediadora do processo de aprendizagem. David passou a utilizar a pintura como forma de representação dos conteúdos curriculares trabalhados em sala de aula.
Em reconhecimento a esta habilidade, os quadros do estudante foram expostos durante a cerimônia de formatura, constituindo-se em importante símbolo de sua trajetória escolar e de sua forma singular de aprender e se expressar.
— Eu amo a minha escola. Sou feliz aqui — afirmou David.
A comunidade escolar teve papel fundamental nesse processo inclusivo, desde a equipe da portaria, passando pelo setor administrativo, merendeiras, professores, equipe pedagógica e gestão escolar. Todos contribuíram de forma ativa e comprometida para a construção de um ambiente acolhedor, seguro e respeitoso. E os colegas sempre demonstraram atitudes de respeito, empatia e convivência solidária com Adriano e David, fortalecendo uma cultura escolar inclusiva e humanizada.
— A escola precisa ser boa para todo mundo. Os resultados desse trabalho foram significativos. Toda essa caminhada demonstrou que, por meio dessas experiências, uma escola que acredita na inclusão, compreendendo seus alunos para além dos rótulos e construindo práticas pedagógicas comprometidas com o desenvolvimento integral, é capaz de realizar feitos extraordinários e de transformar vidas. Assim, seguimos convictos de que nenhum diagnóstico define limites quando a escola se dispõe a enxergar potencialidades, construir estratégias sensíveis e atuar de forma ética e responsável — concluiu a diretora Vanessa.
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
Fotos Divulgação -RJ

